Ao compor esta reflexão, pretendemos analisar a Música Popular Brasileira enquanto possibilidade de ensino de literatura brasileira na Educação Básica. Isso porque são várias as obras literárias musicadas por compositores, desde peças teatrais até poemas, considerando, inclusive, as letras de música como literatura e arte. Para exemplificar, podemos observar o acervo de poemas de Vinicius de Morais, musicados por vários compositores da Bossa Nova. Temos, ainda, peças de teatro, nas quais estão inseridas músicas que embelezam o espetáculo, como “Calabar” e “Gota d’água” de Chico Buarque. E textos de Manuel Bandeira declamadas em meio a músicas nas obras da cantora Maria Bethânia.
Na intersecção entre música e poemas já consagrados, tem-se a belíssima Rosa de Hiroshima, musicada na década de 1973 e gravado pelos Secos e Molhados, na bela voz de Ney Matogrosso. Ademais temos canções que se tornaram expoentes tanto da MPB, a partir de poemas de Carlos Drummond de Andrade, a exemplo do poema Canção Amiga cuja letra serviu de base para a música de Milton Nascimento. Pode-se citar, nesse rol, a música “Funeral de Um Lavrador”, que é parte do poema “Morte Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto. Sem contar com as belas canções encontradas em nossa cultura popular.
Com isso, temos percebido que a união das duas disciplinas em torno da música revela um pensamento coletivo, consistindo, sobretudo, em uma forma de vida que indicam modos de sentir, de pensar e de interpretar os fatos sócio-culturais. Tanto a música quanto a literatura compreendem uma memória para a sociedade, já que ambas veiculam acontecimentos e a tendência de uma determinada época. Nessa perspectiva, não se podem apreciar as conseqüências da Semana da Arte Moderna e as primeiras marchinhas carnavalescas da década de 20, enquanto momentos separados.
Assim, entendemos que a Música Brasileira, a partir dos diversos movimentos culturais, esteve presente e interage com a literatura de nosso país, cujo ensino sugere uma inter-relação entre os autores literários e os compositores de canções. Desse modo, a música brasileira dos nossos dias e de outras décadas conquistaram e vêm conquistando seu papel na sociedade, no sentido de compor um acervo artístico juntamente com obras literárias consagradas. Vemos no diálogo literatura-música uma fonte de conhecimentos da cultura nacional à disposição de educadores que lidam com a Literatura e com a Educação Artística.
Destinado a reflexões sobre cultura popular, cidadania, educação intercultural, literatura e ensino, poesia, música e artes memoráveis do ser humano. Pesquisas direcionadas a literatura popular, literatura brasileira, cultura popular, cultura brasileira, cidadania e internalização da cultura, memória coletiva, patrimônio cultural.
terça-feira, 6 de julho de 2010
A Articulação Dialógica na Formação Social do Leitor
Esta reflexão tem por objetivo relatar o papel da articulação dialógica entre professor e aluno, na formação social do leitor capaz de compreender as várias modalidades discursivas em língua materna e estrangeira. Foi desenvolvido em sala de aula, biblioteca, em anfiteatros, e outros espaços pedagógicos, cujo ambiente favorecia a leitura e a compreensão dos mais variados gêneros dos discursos das diferentes ciências abordadas no ensino médio.
Nessa pesquisa, focalizamos a mediação pedagógica, por meio do diálogo coletivo e entre pares, visando a contribuir com a formação do ente-discursivo do aluno (ente no sentido de “estar sendo”, “em formação”), utilizando-se diversas linguagens que colaborem na ampliação de seu universo cognitivo.
Gostaríamos de enfatizar que as aulas sob o contexto de projetos muito chamaram a atenção do aluno, pois escolhemos temas que refletem a realidade social, cultural e ideológica de nosso país. Considerando que professores e alunos se formam e se interagem em espaços diversificados, respeitamos mutuamente toda e qualquer opinião, sugestão, perspectiva, concepção e a forma de expressar do grupo, e chamamos o projeto de Encontros com o Saber Lingüístico e Literário Sócio-Ideologicamente Construído.
Na interação professor-aluno, ao se desvendar e compreender o discurso que circula em um material simbólico e histórico, a reflexão de sua postura docente revela a natureza dos aspectos que irão definir a atuação do professor como facilitador do processo de análise da estrutura, do funcionamento, dos modos de organização, das condições de produção, dos contextos, os sentidos que se constroem na extensão dos enunciados de um instrumento de análise.
É imprescindível, em um projeto que envolve leitura, conhecer e compreender a organização da comunidade escolar e o conhecimento de mundo dos educandos, um diagnóstico objetivo da realidade sócio-histórica, na qual o processo de interação e aprendizagem irá se desenvolver. Esse processo foi desenvolvido por meio de projetos e temas, como por exemplo: O Eu, o Mundo e a História; A Questão do Tempo: leituras, convenções e concepções , dentre outros.
As aulas foram ministradas sob a forma de seminários e fóruns de debate, com uma visão multiprofissional, sendo que as primeiras propostas temáticas foram ao encontro dos interesses dos alunos pré-universitários. Ao mesmo tempo propomos contribuir para o aprimoramento e expansão dos conhecimentos lingüísticos e discursivos dos discentes que integraram os grupos de estudos durante os referidos encontros. Esses estudos se desenvolveram dentro da seguinte perspectiva didático-pedagógica: diagnóstico, orientação, acompanhamento, avaliação formativa, reflexão e reiteração, com o intuito de perceberem a inter-relação de conhecimentos.
Compreendemos o espaço pedagógico como uma realidade que permite a interação entre seres humanos (interlocutores) com o objetivo de analisar e fazer ciência. A relação dialética entre os saberes sócio-historicamente construídos, a construção social e discursiva dos leitores integrantes do projeto – mediadores e aprendizes – e o processo de análise de um material simbólico e ideológico quando bem orientada contribui para o sucesso na compreensão e elaboração de textos.
Apoiados nesses pressupostos, inferimos inicialmente que a interação na aprendizagem, por meio do diálogo, é essencial no contexto da formação social do leitor, quer criança, jovem ou adulto. Essas reflexões nos levaram a tomar novas posturas pedagógicas e a promover encontros por meio de seminários, envolvendo acadêmicos do Curso de Letras da Universidade de Uberaba de diferentes visões e concepções no estudo crítico de cada gênero discursivo. Desse modo, o fazer pedagógico que era desenvolvido individualmente no 1º semestre de 2004, ou seja, um só orientador, passou a ser conduzido em equipe, no 2º semestre do mesmo ano.
Percebemos que a ação dialógica no cotidiano escolar é um momento de criação de novos sentidos e significações sociais e culturais, levando-nos muitas vezes a transpor limites além das expectativas que uma aula expositiva e descontextualizada, talvez não alcançasse. Nesses encontros pedagógicos para a leitura, as diferentes visões de mundo, entre os interlocutores (críticos), permitiram uma compreensão textual enriquecedora, plural e coletiva, além das fronteiras superficiais da estrutura e do funcionamento dos mecanismos textuais (coesão, coerência, consistência, dentre outros).
Nas situações de interação entre facilitadores e aprendizes, avaliar o processo para reorientá-lo de modo a manter a qualidade do fazer pedagógico e inovar as práticas sociais de referência é um diferencial importante para o profissional que deseja uma formação contínua e reflexiva. Esse diferencial está no sentido de analisar semântica e discursivamente um recorte ou um gênero discursivo, desde as suas estruturas sintáticas até a ideologia impregnada no material lingüístico e/ou simbólico que o revela.
Nessa pesquisa, focalizamos a mediação pedagógica, por meio do diálogo coletivo e entre pares, visando a contribuir com a formação do ente-discursivo do aluno (ente no sentido de “estar sendo”, “em formação”), utilizando-se diversas linguagens que colaborem na ampliação de seu universo cognitivo.
Gostaríamos de enfatizar que as aulas sob o contexto de projetos muito chamaram a atenção do aluno, pois escolhemos temas que refletem a realidade social, cultural e ideológica de nosso país. Considerando que professores e alunos se formam e se interagem em espaços diversificados, respeitamos mutuamente toda e qualquer opinião, sugestão, perspectiva, concepção e a forma de expressar do grupo, e chamamos o projeto de Encontros com o Saber Lingüístico e Literário Sócio-Ideologicamente Construído.
Na interação professor-aluno, ao se desvendar e compreender o discurso que circula em um material simbólico e histórico, a reflexão de sua postura docente revela a natureza dos aspectos que irão definir a atuação do professor como facilitador do processo de análise da estrutura, do funcionamento, dos modos de organização, das condições de produção, dos contextos, os sentidos que se constroem na extensão dos enunciados de um instrumento de análise.
É imprescindível, em um projeto que envolve leitura, conhecer e compreender a organização da comunidade escolar e o conhecimento de mundo dos educandos, um diagnóstico objetivo da realidade sócio-histórica, na qual o processo de interação e aprendizagem irá se desenvolver. Esse processo foi desenvolvido por meio de projetos e temas, como por exemplo: O Eu, o Mundo e a História; A Questão do Tempo: leituras, convenções e concepções , dentre outros.
As aulas foram ministradas sob a forma de seminários e fóruns de debate, com uma visão multiprofissional, sendo que as primeiras propostas temáticas foram ao encontro dos interesses dos alunos pré-universitários. Ao mesmo tempo propomos contribuir para o aprimoramento e expansão dos conhecimentos lingüísticos e discursivos dos discentes que integraram os grupos de estudos durante os referidos encontros. Esses estudos se desenvolveram dentro da seguinte perspectiva didático-pedagógica: diagnóstico, orientação, acompanhamento, avaliação formativa, reflexão e reiteração, com o intuito de perceberem a inter-relação de conhecimentos.
Compreendemos o espaço pedagógico como uma realidade que permite a interação entre seres humanos (interlocutores) com o objetivo de analisar e fazer ciência. A relação dialética entre os saberes sócio-historicamente construídos, a construção social e discursiva dos leitores integrantes do projeto – mediadores e aprendizes – e o processo de análise de um material simbólico e ideológico quando bem orientada contribui para o sucesso na compreensão e elaboração de textos.
Apoiados nesses pressupostos, inferimos inicialmente que a interação na aprendizagem, por meio do diálogo, é essencial no contexto da formação social do leitor, quer criança, jovem ou adulto. Essas reflexões nos levaram a tomar novas posturas pedagógicas e a promover encontros por meio de seminários, envolvendo acadêmicos do Curso de Letras da Universidade de Uberaba de diferentes visões e concepções no estudo crítico de cada gênero discursivo. Desse modo, o fazer pedagógico que era desenvolvido individualmente no 1º semestre de 2004, ou seja, um só orientador, passou a ser conduzido em equipe, no 2º semestre do mesmo ano.
Percebemos que a ação dialógica no cotidiano escolar é um momento de criação de novos sentidos e significações sociais e culturais, levando-nos muitas vezes a transpor limites além das expectativas que uma aula expositiva e descontextualizada, talvez não alcançasse. Nesses encontros pedagógicos para a leitura, as diferentes visões de mundo, entre os interlocutores (críticos), permitiram uma compreensão textual enriquecedora, plural e coletiva, além das fronteiras superficiais da estrutura e do funcionamento dos mecanismos textuais (coesão, coerência, consistência, dentre outros).
Nas situações de interação entre facilitadores e aprendizes, avaliar o processo para reorientá-lo de modo a manter a qualidade do fazer pedagógico e inovar as práticas sociais de referência é um diferencial importante para o profissional que deseja uma formação contínua e reflexiva. Esse diferencial está no sentido de analisar semântica e discursivamente um recorte ou um gênero discursivo, desde as suas estruturas sintáticas até a ideologia impregnada no material lingüístico e/ou simbólico que o revela.
Década de 60/70 antecipação da modernidade
No final da década, em 1969, todos os tipos de periódicos devem ter noticiado a primeira vez que o homem pisa na lua em 20/07/1969, missão Apolo 11, que também foi televisionado, para a maioria das naçoes (BURNS, 2005). Podemos perceber que os fatos se transformam em textos que certamente farão parte da história, por conter a própria história, por conter informações sobre o contexto onde os acontecimentos ocorreram. Por outro lado, as revistas brasileiras devem ter noticiado a crise do petróleo de 1970 até 1974, a qual levou à recessão os Estados Unidos – maior consumidor de derivados, em conflito com o mundo árabe por apoio a Israel – ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão e Alemanha começavam a crescer (HOBSBAWN, 2000).
Ao falarmos sobre o contexto mundial destas duas décadas, ai claro incluído o Brasil, podemos falar na descoberta da versatilidade do laser que pode abrir túneis, derrubar aviões e inclusive recuperar um dos melhores jogadores da seleção brasileira, o Tostão, para a copa de 70, por meio de uma cirurgia no joelho. Este fato possa gerou uma entrevista com o jogador, texto muito utilizado para divulgação de contextos e fatos que ocorriam com celebridades, dentre elas podemos citar a revista Placar, lançada na década de 1970.
Também quanto a descobertas tecnológicas, entre tantas outras, gostaríamos de destacar os poderosos aparelhos microscópios que já conseguiam revelar o DNA e o RNA dois ácidos que determinam a hereditariedade nas espécies (MARQUES, 1997). Esse foi certamente um dos grandes passos para os avanços da genética moderna e foi divulgada em revistas especializadas com a Nature que já existia na época, inclusive no Brasil.
Ainda nessa época, algo que deve ter mexido com a vaidade humana: surge o primeiro produto dietético e inicia-se a onda de emagrecer que tomou conta da década, sendo uma notícia que mereceu atenção por parte de todos. Pensando nisso, podemos dizer que revistas como Capricho, Contigo, Sétimo Céu, divulgaram esse fato, na passagem da década de 1960 para 70, juntamente com outras revistas e periódicos interessados em descobertas científicas, assunto que muito atrai a atenção dos jovens, quase sempre atentos à modernidade (VENTURA, 1972).
Outro acontecimento interessante dos anos 60/70, muito comentado na época, foi a robótica com a mão cibernética que executava os mais delicados movimentos com a eficiência de uma mão natural. Não se sabe ao certo a reação das pessoas a todas essas novidades, pois pesquisas como estas exigiam tempo e pessoal disponível para desenvolvê-las (MARQUES, 1997). Porém, jornais como O Globo utilizaram muito a pesquisa de opinião, para divulgar a reação da sociedade a determinados fatos. Assim, foi ventilado alguma preocupação dos trabalhadores com medo de perder seus empregos para as máquinas, porém para afirmar com maior precisão precisaríamos de maiores pesquisas.
Ao falarmos sobre o contexto mundial destas duas décadas, ai claro incluído o Brasil, podemos falar na descoberta da versatilidade do laser que pode abrir túneis, derrubar aviões e inclusive recuperar um dos melhores jogadores da seleção brasileira, o Tostão, para a copa de 70, por meio de uma cirurgia no joelho. Este fato possa gerou uma entrevista com o jogador, texto muito utilizado para divulgação de contextos e fatos que ocorriam com celebridades, dentre elas podemos citar a revista Placar, lançada na década de 1970.
Também quanto a descobertas tecnológicas, entre tantas outras, gostaríamos de destacar os poderosos aparelhos microscópios que já conseguiam revelar o DNA e o RNA dois ácidos que determinam a hereditariedade nas espécies (MARQUES, 1997). Esse foi certamente um dos grandes passos para os avanços da genética moderna e foi divulgada em revistas especializadas com a Nature que já existia na época, inclusive no Brasil.
Ainda nessa época, algo que deve ter mexido com a vaidade humana: surge o primeiro produto dietético e inicia-se a onda de emagrecer que tomou conta da década, sendo uma notícia que mereceu atenção por parte de todos. Pensando nisso, podemos dizer que revistas como Capricho, Contigo, Sétimo Céu, divulgaram esse fato, na passagem da década de 1960 para 70, juntamente com outras revistas e periódicos interessados em descobertas científicas, assunto que muito atrai a atenção dos jovens, quase sempre atentos à modernidade (VENTURA, 1972).
Outro acontecimento interessante dos anos 60/70, muito comentado na época, foi a robótica com a mão cibernética que executava os mais delicados movimentos com a eficiência de uma mão natural. Não se sabe ao certo a reação das pessoas a todas essas novidades, pois pesquisas como estas exigiam tempo e pessoal disponível para desenvolvê-las (MARQUES, 1997). Porém, jornais como O Globo utilizaram muito a pesquisa de opinião, para divulgar a reação da sociedade a determinados fatos. Assim, foi ventilado alguma preocupação dos trabalhadores com medo de perder seus empregos para as máquinas, porém para afirmar com maior precisão precisaríamos de maiores pesquisas.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Saberes culturais da década de 60/70
Como o lema da juventude era o prazer da velocidade, no ruído ensurdecedor da motocicleta, o vento batendo no rosto e a máquina obedecendo ao comando, o jovem começava a manifestar no mesmo ritmo alucinante do Rock and Roll. Quase sempre, os jornais como a Folha de São Paulo, pioneira na impressão offset a cores no Brasil, veicularam notícias sobre protestos que foram espalhado pelo mundo afora em um mesmo lema social: contra a guerra e a repressão, contra o racismo, e ao mesmo tempo pela paz, pelos subdesenvolvidos, pelos pobres.
Certamente, uma das boas notícias que foi divulgada por jornais da época, tanto internacionais como os nacionais, por exemplo, o Jornal do Brasil foi o acordo assinado entre Estados Unidos e União Soviética pelo desarmamento da era atômica, proibindo experiências nucleares. Desse modo, é um acordo para o fim da chamada guerra fria, sendo esse fato merecedor de inúmeros artigos jornalísticos pelo mundo, inclusive em telejornais.
Além da grande variedade de bons jornais escritos espalhados pelo mundo afora, nos mais diversos países e cidades, os telejornais ganham grande impulso e começa a levar os acontecimentos mais rapidamente para os lares e as escolas brasileiras, como por exemplo, a independência política a 19 países da África (MARQUES, 1997).
Por outro lado, politicamente nem tudo foi tranqüilidade nessas duas décadas, exigindo da sociedade movimentos culturais contra as guerras como o Movimento Hippie contra a Guerra do Vietnam, deixando no planeta um dos mais famosos temas: paz e amor. Esse movimento foi também chamado de contracultura, mas que viram no Rock and Roll uma forma de reinvidicar a paz pelo mundo. Essas e outras manifestações culturais também deve ter sido muito noticiado por jornais, telejornais e revistas como a Time, O Cruzeiro, Manchete.
Outro fato que comprova que nem sempre a política foi harmônica entre os países e no interior dos próprios países, são assassinados três lideres norte-americanos: John Kennedy, Martin Luther King e Bob Kennedy. Em virtude desse contexto, é provável que os textos sobre essas mortes tenham sido divulgado em jornais, telejornais, revistas, como a Veja e a Revista do Rádio e TV. Esta ultima revista foi lançada até inicio de 1970.
O grande agitador Che Guevara, que muito influenciou os jovens pelo pensamento de liberdade, sem o apoio dos partidos comunistas morre em 1967 na Bolívia, sem implantar o socialismo na América Latina. Por ser uma figura muito apreciada pela juventude, sendo estampado em camisetas até hoje, o argentino Ernest Guevara, apareceu em vários contextos como panfletos, biografias, murais, até chegar às salas de aula, como parte integrante da história, presente no livros, poemas e musicas.
Um acontecimento religioso que merece destaque, nessa mesma época é o falecimento do papa João XXIII (em 1963) e o papa Paulo VI, contrário a toda a política do vaticano, deixa a Itália e vai à Terra Santa no Oriente Médio (BURNS, 2005). Certamente, esses e outros fatos relativos a religião devem ter sido alvo de reportagens pelo mundo inteiro, e divulgadas em jornais como por exemplo no Estado de Minas, que comemorou 80 anos de existência em 2008.
Anos 60 e 70 - Retrato de uma Realidade
Os anos 60 tiveram como marco a grande influência de idéias de liberdade que retratava a chamada geração hippie, resultando na oposição dos jovens dessa geração à sociedade de consumo vigente.
O movimento, que nos 50 vivia restrito aos bares nos EUA, passou a caminhar pelas ruas nos anos 60 e influenciaria novas mudanças de comportamento jovem, como a cultura popular e o pacifismo do final da década (NEVES, 2005).
Naquela época, a transformação do jovem iria ser radical. Até a moda passou a ser alvo de mudanças, era o fim da chamada “moda única”, que passou a ter inúmeras propostas, tornando a forma de se vestir cada vez mais ligada ao comportamento (CASTILHO, 2005). Assim sendo, surge a moda unisex, com roupas de mesmo modelo para ambos os sexos, como por exemplo, as calças Jeans..
A todo esse conjunto de manifestações que surgiram em vários países deu-se o nome de contracultura, que consistia numa busca por um tipo de vida alternativo, à margem do sistema oficial (NEVES, 2005). Pertenciam a esse novo comportamento o uso de cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música e teatro de rua.
Esse movimento influenciou e transformou o modo de pensar e agir da sociedade; as mulheres conquistaram, dessa forma, maior liberdade e passou a marcar presença efetiva nos movimentos políticos a partir da década de 60, na grande maioria dos países. No Brasil, por exemplo, lutaram e fizeram parte de movimentos pró-anistia contra o militarismo.
Em virtude do Golpe de 64 e da repressão militar, somente na década de 70 é que se retoma o processo de reorganização dos movimentos feministas no país. É, contudo, num dado momento específico, intitulado como “a luta pela anistia” que a presença dos jovens na esfera pública torna-se mais significativa, no final da década de 1970 (VENTURA, 1972).
No cenário das artes, de 1966 a 1972, apresenta o estado de espírito inovador que definiria os anos 70 - a era dos festivais de músicas e shows em espaços abertos. Em contrapartida os jovens se lançam à suposta liberdade, revelando as experiências com substâncias químicas alucinóginas, a perda da inocência, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos (VENTURA, 1972). Nos anos 70, também revolucionários no Brasil, o povo assiste pelos telejornais, as conquistas e repressões daqueles que lutavam pela liberdade de expressão e contra a censura.
Trata-se de duas décadas que foram retratadas de diversos modos, inclusive seriado entitulado “Anos Rebeldes” (Rede Globo) que foi apresentado na década de 1990, no mesmo ano do empeachment de Fernando Collor.
É importante dizer que a rebeldia juvenil não é uma particularidade dessa época, mas nos anos 60/70, ela deixou de ter simples motivações psicológicas para ganhar componentes sociológicos novos e se constituir em manifesto social (NEVES, 2005). Ao voltar na história, percebe-se que os anos 60 e 70 foram de luta e recusa, pacífica ou violenta, mas sempre radical, sendo o contexto em que se desenvolveram muitos textos da época, como o jornalístico, o literário, o televisivo e outros.
O movimento, que nos 50 vivia restrito aos bares nos EUA, passou a caminhar pelas ruas nos anos 60 e influenciaria novas mudanças de comportamento jovem, como a cultura popular e o pacifismo do final da década (NEVES, 2005).
Naquela época, a transformação do jovem iria ser radical. Até a moda passou a ser alvo de mudanças, era o fim da chamada “moda única”, que passou a ter inúmeras propostas, tornando a forma de se vestir cada vez mais ligada ao comportamento (CASTILHO, 2005). Assim sendo, surge a moda unisex, com roupas de mesmo modelo para ambos os sexos, como por exemplo, as calças Jeans..
A todo esse conjunto de manifestações que surgiram em vários países deu-se o nome de contracultura, que consistia numa busca por um tipo de vida alternativo, à margem do sistema oficial (NEVES, 2005). Pertenciam a esse novo comportamento o uso de cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música e teatro de rua.
Esse movimento influenciou e transformou o modo de pensar e agir da sociedade; as mulheres conquistaram, dessa forma, maior liberdade e passou a marcar presença efetiva nos movimentos políticos a partir da década de 60, na grande maioria dos países. No Brasil, por exemplo, lutaram e fizeram parte de movimentos pró-anistia contra o militarismo.
Em virtude do Golpe de 64 e da repressão militar, somente na década de 70 é que se retoma o processo de reorganização dos movimentos feministas no país. É, contudo, num dado momento específico, intitulado como “a luta pela anistia” que a presença dos jovens na esfera pública torna-se mais significativa, no final da década de 1970 (VENTURA, 1972).
No cenário das artes, de 1966 a 1972, apresenta o estado de espírito inovador que definiria os anos 70 - a era dos festivais de músicas e shows em espaços abertos. Em contrapartida os jovens se lançam à suposta liberdade, revelando as experiências com substâncias químicas alucinóginas, a perda da inocência, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos (VENTURA, 1972). Nos anos 70, também revolucionários no Brasil, o povo assiste pelos telejornais, as conquistas e repressões daqueles que lutavam pela liberdade de expressão e contra a censura.
Trata-se de duas décadas que foram retratadas de diversos modos, inclusive seriado entitulado “Anos Rebeldes” (Rede Globo) que foi apresentado na década de 1990, no mesmo ano do empeachment de Fernando Collor.
É importante dizer que a rebeldia juvenil não é uma particularidade dessa época, mas nos anos 60/70, ela deixou de ter simples motivações psicológicas para ganhar componentes sociológicos novos e se constituir em manifesto social (NEVES, 2005). Ao voltar na história, percebe-se que os anos 60 e 70 foram de luta e recusa, pacífica ou violenta, mas sempre radical, sendo o contexto em que se desenvolveram muitos textos da época, como o jornalístico, o literário, o televisivo e outros.

domingo, 4 de julho de 2010
Quadrão
Quadrão é um dos muitos estilos da poesia popular. Como exemplo de quadrão, destaco o trecho abaixo retirado do livro 'Violas e Repentes' de F. Coutinho Filho. Muito tocante e impressionante o conhecimento dos cancioneiros nordestinos do inicio do século XX. Atenção, pés (singifica versos):
Longe do mar de Netuno
Longe do mar de Netuno
O cocheiro Faetonte
Percorria o horizonte
No seu côcho de tribuno
De Anfitrite e de Juno
Tinha ele a proteção!
Apolo, tendo na mão
Um livro de poesia
Me ensinou com galhardia
Cantar dez pés em quadrão.
Cultura e Educação
Gostaríamos de ressaltar que a diversidade cultural que se constrói sócio-historicamente em múltiplos processos tem, na escola, o lugar privilegiado para ser abordado, pesquisado, debatido. A cultura popular é uma das bases do patrimônio social e cultural brasileiro, já que constitui uma unidade envolvendo o diverso, uma identidade dinâmica que se enriquece e se transforma na história.
São muitos os significados e a abrangência dessa cultura pois encontramos uma heterogeneidade de manifestações, variáveis e eventos contidas na arte e expressão popular de um povo. Nesse panorama, encontramos várias festas religiosas, diferentes maneiras de lidar com a culinária e a medicina popular, o ofício do artesão, as modalidades textuais diversas e, portanto, diferentes modos de atuar e se relacionar com a cultura nacional.
Embora a Educação caminhe pelo viés da cultura erudita e científica, a presença da cultura popular no cotidiano dessas duas formas culturais é inegável e enriquecedora. Isso porque a erudição e a popularidade caminham juntas, entrelaçando-se, mesclando-se por meio do dinamismo das relações sociais. O que não pode acontecer é de a escola e a sociedade valorizar mais o trabalho intelectual do que o manual, como se este último não fosse constituído de criatividade e saberes necessários ao seu desenvolvimento e aprimoramento.
Entretanto, não se pode negar que por meio desse dinamismo toda e qualquer manifestação cultural – popular ou erudita – é passível de ser modificada pois não se tratam de eventos e fenômenos estanques. Porém, a fidelidade às maneiras tradicionais de lidar com esses ofícios e expressões populares é necessária, para que na estilização não se distancie da proposta inicial, estereotipando sua constituição primeira. Nesse sentido, é muito importante se respeitar as datas em que determinadas festas, danças, celebrações e cerimônias ocorrem. Não se deve, pois, relegá-las a um único mês na tentativa de condensar e usufruir da cultura do povo, apenas em Agosto como o mês do folclore. Há que se tomar cuidado, inclusive, quanto às indumentárias, às coreografias, aos textos e outros acessórios que compõem essa manifestações.
Quando se lida a diversidade cultural na escola, pensa-se na formação pessoal do educando, tomando a cultura como instrumento de preservação da memória nacional e ao mesmo tempo promotora de mudanças sociais. As manifestações populares não implica cultura de massa, e sim um conjunto de saberes à disposição do povo brasileiro. A compreensão e apreciação desses saberes envolvem o conhecimento de como foram produzidos em seu processo de formação, o resgate e o exercício da multiplicidade das expressões artísticas literárias e festivas brasileiras.
Uma Educação articulada com a Cultura Popular significa uma maior flexibilidade dos conteúdos curriculares. Ao atender a diversidade social e cultural, a escola é um espaço ideal para refletir sobre a memória, as múltiplas culturas e o patrimônio histórico de uma nação. Nesse sentido, é importante que os cursos de formação de professores e educadores abordem o aspecto multicultural no processo de aprendizagem, capaz de perceber, ouvir, comunicar, atentar e lidar com as diferenças.
Ressaltamos que o estudo e a aplicação da sabedoria popular na sociedade valorizam a identidade coletiva, repleta de simbologias, signos, valores que enaltecem o modo de ser do povo brasileiro. Nessa perspectiva, a escola há que contemplar em seu Projeto Político Pedagógico, uma proposta consistente que caminhe para a pesquisa e contribua para que as novas gerações tenham acesso e responsabilidade na preservação de um estilo de vida brasileiramente arraigado em nossa alma.
Por se tratar de uma traço cultural, cuja tradição e apreço de famílias inteiras se preocuparam em perpetuar, os educadores, solidários com o compromisso de formar cidadãos, devem intermediar o processo educativo como promotores e facilitadores da construção sócio histórica, dentro da perspectiva da aprendizagem compartilhada. Essa modalidade de educação propõe uma ação educadora na qual há um intercâmbio cultural entre os integrantes do processo de construção de conhecimento, por meio da mediação de saberes entre os pares docentes e discentes.
Vimos que a literatura oral possui um amplo acervo de modalidades textuais, e, por isso sugerimos, como agentes do processo educativo, que seja trabalhado, na Língua Portuguesa-Brasileira, não só a morfologia e a sintaxe, mas elementos da semântica, o discurso e sua expressividade. No que se refere a literatura propriamente dita, observamos a grande variedade de gêneros, em prosa e verso, que estão à disposição de um estudo literário que contemple beleza, ética, estética e valores humanos.
Encerramos com um trecho da obra de Antônio Augusto Arantes (1984, p. 78) salientando que existem pesquisadores e educadores que reforçam a idéia de tratar a cultura popular como uma realidade científica: “(...) fazer teatro, música, poesia ou qualquer outra modalidade de arte é construir, com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece, com as suas roupagens identificadoras particulares e concretas, o que é mais abstrato e geral num grupo humano, ou seja, a sua organização, que é condição e modo de sua participação na produção da sociedade. Esse é meu ver o sentido mais profundo da cultura, “popular” ou outra.”
Autor: Antonio Carlos Tomás Fialho Magalhães - Twitter: SaberFolclorico
São muitos os significados e a abrangência dessa cultura pois encontramos uma heterogeneidade de manifestações, variáveis e eventos contidas na arte e expressão popular de um povo. Nesse panorama, encontramos várias festas religiosas, diferentes maneiras de lidar com a culinária e a medicina popular, o ofício do artesão, as modalidades textuais diversas e, portanto, diferentes modos de atuar e se relacionar com a cultura nacional.
Embora a Educação caminhe pelo viés da cultura erudita e científica, a presença da cultura popular no cotidiano dessas duas formas culturais é inegável e enriquecedora. Isso porque a erudição e a popularidade caminham juntas, entrelaçando-se, mesclando-se por meio do dinamismo das relações sociais. O que não pode acontecer é de a escola e a sociedade valorizar mais o trabalho intelectual do que o manual, como se este último não fosse constituído de criatividade e saberes necessários ao seu desenvolvimento e aprimoramento.
Entretanto, não se pode negar que por meio desse dinamismo toda e qualquer manifestação cultural – popular ou erudita – é passível de ser modificada pois não se tratam de eventos e fenômenos estanques. Porém, a fidelidade às maneiras tradicionais de lidar com esses ofícios e expressões populares é necessária, para que na estilização não se distancie da proposta inicial, estereotipando sua constituição primeira. Nesse sentido, é muito importante se respeitar as datas em que determinadas festas, danças, celebrações e cerimônias ocorrem. Não se deve, pois, relegá-las a um único mês na tentativa de condensar e usufruir da cultura do povo, apenas em Agosto como o mês do folclore. Há que se tomar cuidado, inclusive, quanto às indumentárias, às coreografias, aos textos e outros acessórios que compõem essa manifestações.
Quando se lida a diversidade cultural na escola, pensa-se na formação pessoal do educando, tomando a cultura como instrumento de preservação da memória nacional e ao mesmo tempo promotora de mudanças sociais. As manifestações populares não implica cultura de massa, e sim um conjunto de saberes à disposição do povo brasileiro. A compreensão e apreciação desses saberes envolvem o conhecimento de como foram produzidos em seu processo de formação, o resgate e o exercício da multiplicidade das expressões artísticas literárias e festivas brasileiras.
Uma Educação articulada com a Cultura Popular significa uma maior flexibilidade dos conteúdos curriculares. Ao atender a diversidade social e cultural, a escola é um espaço ideal para refletir sobre a memória, as múltiplas culturas e o patrimônio histórico de uma nação. Nesse sentido, é importante que os cursos de formação de professores e educadores abordem o aspecto multicultural no processo de aprendizagem, capaz de perceber, ouvir, comunicar, atentar e lidar com as diferenças.
Ressaltamos que o estudo e a aplicação da sabedoria popular na sociedade valorizam a identidade coletiva, repleta de simbologias, signos, valores que enaltecem o modo de ser do povo brasileiro. Nessa perspectiva, a escola há que contemplar em seu Projeto Político Pedagógico, uma proposta consistente que caminhe para a pesquisa e contribua para que as novas gerações tenham acesso e responsabilidade na preservação de um estilo de vida brasileiramente arraigado em nossa alma.
Por se tratar de uma traço cultural, cuja tradição e apreço de famílias inteiras se preocuparam em perpetuar, os educadores, solidários com o compromisso de formar cidadãos, devem intermediar o processo educativo como promotores e facilitadores da construção sócio histórica, dentro da perspectiva da aprendizagem compartilhada. Essa modalidade de educação propõe uma ação educadora na qual há um intercâmbio cultural entre os integrantes do processo de construção de conhecimento, por meio da mediação de saberes entre os pares docentes e discentes.
Vimos que a literatura oral possui um amplo acervo de modalidades textuais, e, por isso sugerimos, como agentes do processo educativo, que seja trabalhado, na Língua Portuguesa-Brasileira, não só a morfologia e a sintaxe, mas elementos da semântica, o discurso e sua expressividade. No que se refere a literatura propriamente dita, observamos a grande variedade de gêneros, em prosa e verso, que estão à disposição de um estudo literário que contemple beleza, ética, estética e valores humanos.
Encerramos com um trecho da obra de Antônio Augusto Arantes (1984, p. 78) salientando que existem pesquisadores e educadores que reforçam a idéia de tratar a cultura popular como uma realidade científica: “(...) fazer teatro, música, poesia ou qualquer outra modalidade de arte é construir, com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece, com as suas roupagens identificadoras particulares e concretas, o que é mais abstrato e geral num grupo humano, ou seja, a sua organização, que é condição e modo de sua participação na produção da sociedade. Esse é meu ver o sentido mais profundo da cultura, “popular” ou outra.”
Autor: Antonio Carlos Tomás Fialho Magalhães - Twitter: SaberFolclorico
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