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sexta-feira, 6 de abril de 2012

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SABEDORIA

Brasileiros salvando a vida de 30 golfinhos que encalharam em Arraial do Cabo (RJ). Um ato humanitário. Os golfinhos navegam se orientado pelo campo magnético da Terra. Quando o eixo da Terra altera-se, eles peredem a direção, assim acontece com os cetáceos e outras categorias marinhas.
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terça-feira, 6 de julho de 2010

A Articulação Dialógica na Formação Social do Leitor

Esta reflexão tem por objetivo relatar o papel da articulação dialógica entre professor e aluno, na formação social do leitor capaz de compreender as várias modalidades discursivas em língua materna e estrangeira. Foi desenvolvido em sala de aula, biblioteca, em anfiteatros, e outros espaços pedagógicos, cujo ambiente favorecia a leitura e a compreensão dos mais variados gêneros dos discursos das diferentes ciências abordadas no ensino médio.

Nessa pesquisa, focalizamos a mediação pedagógica, por meio do diálogo coletivo e entre pares, visando a contribuir com a formação do ente-discursivo do aluno (ente no sentido de “estar sendo”, “em formação”), utilizando-se diversas linguagens que colaborem na ampliação de seu universo cognitivo.

Gostaríamos de enfatizar que as aulas sob o contexto de projetos muito chamaram a atenção do aluno, pois escolhemos temas que refletem a realidade social, cultural e ideológica de nosso país. Considerando que professores e alunos se formam e se interagem em espaços diversificados, respeitamos mutuamente toda e qualquer opinião, sugestão, perspectiva, concepção e a forma de expressar do grupo, e chamamos o projeto de Encontros com o Saber Lingüístico e Literário Sócio-Ideologicamente Construído.

Na interação professor-aluno, ao se desvendar e compreender o discurso que circula em um material simbólico e histórico, a reflexão de sua postura docente revela a natureza dos aspectos que irão definir a atuação do professor como facilitador do processo de análise da estrutura, do funcionamento, dos modos de organização, das condições de produção, dos contextos, os sentidos que se constroem na extensão dos enunciados de um instrumento de análise.

É imprescindível, em um projeto que envolve leitura, conhecer e compreender a organização da comunidade escolar e o conhecimento de mundo dos educandos, um diagnóstico objetivo da realidade sócio-histórica, na qual o processo de interação e aprendizagem irá se desenvolver. Esse processo foi desenvolvido por meio de projetos e temas, como por exemplo: O Eu, o Mundo e a História; A Questão do Tempo: leituras, convenções e concepções , dentre outros.

As aulas foram ministradas sob a forma de seminários e fóruns de debate, com uma visão multiprofissional, sendo que as primeiras propostas temáticas foram ao encontro dos interesses dos alunos pré-universitários. Ao mesmo tempo propomos contribuir para o aprimoramento e expansão dos conhecimentos lingüísticos e discursivos dos discentes que integraram os grupos de estudos durante os referidos encontros. Esses estudos se desenvolveram dentro da seguinte perspectiva didático-pedagógica: diagnóstico, orientação, acompanhamento, avaliação formativa, reflexão e reiteração, com o intuito de perceberem a inter-relação de conhecimentos.

Compreendemos o espaço pedagógico como uma realidade que permite a interação entre seres humanos (interlocutores) com o objetivo de analisar e fazer ciência. A relação dialética entre os saberes sócio-historicamente construídos, a construção social e discursiva dos leitores integrantes do projeto – mediadores e aprendizes – e o processo de análise de um material simbólico e ideológico quando bem orientada contribui para o sucesso na compreensão e elaboração de textos.

Apoiados nesses pressupostos, inferimos inicialmente que a interação na aprendizagem, por meio do diálogo, é essencial no contexto da formação social do leitor, quer criança, jovem ou adulto. Essas reflexões nos levaram a tomar novas posturas pedagógicas e a promover encontros por meio de seminários, envolvendo acadêmicos do Curso de Letras da Universidade de Uberaba de diferentes visões e concepções no estudo crítico de cada gênero discursivo. Desse modo, o fazer pedagógico que era desenvolvido individualmente no 1º semestre de 2004, ou seja, um só orientador, passou a ser conduzido em equipe, no 2º semestre do mesmo ano.

Percebemos que a ação dialógica no cotidiano escolar é um momento de criação de novos sentidos e significações sociais e culturais, levando-nos muitas vezes a transpor limites além das expectativas que uma aula expositiva e descontextualizada, talvez não alcançasse. Nesses encontros pedagógicos para a leitura, as diferentes visões de mundo, entre os interlocutores (críticos), permitiram uma compreensão textual enriquecedora, plural e coletiva, além das fronteiras superficiais da estrutura e do funcionamento dos mecanismos textuais (coesão, coerência, consistência, dentre outros).

Nas situações de interação entre facilitadores e aprendizes, avaliar o processo para reorientá-lo de modo a manter a qualidade do fazer pedagógico e inovar as práticas sociais de referência é um diferencial importante para o profissional que deseja uma formação contínua e reflexiva. Esse diferencial está no sentido de analisar semântica e discursivamente um recorte ou um gênero discursivo, desde as suas estruturas sintáticas até a ideologia impregnada no material lingüístico e/ou simbólico que o revela.

domingo, 4 de julho de 2010

Cultura e Educação

Gostaríamos de ressaltar que a diversidade cultural que se constrói sócio-historicamente em múltiplos processos tem, na escola, o lugar privilegiado para ser abordado, pesquisado, debatido. A cultura popular é uma das bases do patrimônio social e cultural brasileiro, já que constitui uma unidade envolvendo o diverso, uma identidade dinâmica que se enriquece e se transforma na história.
São muitos os significados e a abrangência dessa cultura pois encontramos uma heterogeneidade de manifestações, variáveis e eventos contidas na arte e expressão popular de um povo. Nesse panorama, encontramos várias festas religiosas, diferentes maneiras de lidar com a culinária e a medicina popular, o ofício do artesão, as modalidades textuais diversas e, portanto, diferentes modos de atuar e se relacionar com a cultura nacional.
Embora a Educação caminhe pelo viés da cultura erudita e científica, a presença da cultura popular no cotidiano dessas duas formas culturais é inegável e enriquecedora. Isso porque a erudição e a popularidade caminham juntas, entrelaçando-se, mesclando-se por meio do dinamismo das relações sociais. O que não pode acontecer é de a escola e a sociedade valorizar mais o trabalho intelectual do que o manual, como se este último não fosse constituído de criatividade e saberes necessários ao seu desenvolvimento e aprimoramento.
Entretanto, não se pode negar que por meio desse dinamismo toda e qualquer manifestação cultural – popular ou erudita – é passível de ser modificada pois não se tratam de eventos e fenômenos estanques. Porém, a fidelidade às maneiras tradicionais de lidar com esses ofícios e expressões populares é necessária, para que na estilização não se distancie da proposta inicial, estereotipando sua constituição primeira. Nesse sentido, é muito importante se respeitar as datas em que determinadas festas, danças, celebrações e cerimônias ocorrem. Não se deve, pois, relegá-las a um único mês na tentativa de condensar e usufruir da cultura do povo, apenas em Agosto como o mês do folclore. Há que se tomar cuidado, inclusive, quanto às indumentárias, às coreografias, aos textos e outros acessórios que compõem essa manifestações.
Quando se lida a diversidade cultural na escola, pensa-se na formação pessoal do educando, tomando a cultura como instrumento de preservação da memória nacional e ao mesmo tempo promotora de mudanças sociais. As manifestações populares não implica cultura de massa, e sim um conjunto de saberes à disposição do povo brasileiro. A compreensão e apreciação desses saberes envolvem o conhecimento de como foram produzidos em seu processo de formação, o resgate e o exercício da multiplicidade das expressões artísticas literárias e festivas brasileiras.
Uma Educação articulada com a Cultura Popular significa uma maior flexibilidade dos conteúdos curriculares. Ao atender a diversidade social e cultural, a escola é um espaço ideal para refletir sobre a memória, as múltiplas culturas e o patrimônio histórico de uma nação. Nesse sentido, é importante que os cursos de formação de professores e educadores abordem o aspecto multicultural no processo de aprendizagem, capaz de perceber, ouvir, comunicar, atentar e lidar com as diferenças.
Ressaltamos que o estudo e a aplicação da sabedoria popular na sociedade valorizam a identidade coletiva, repleta de simbologias, signos, valores que enaltecem o modo de ser do povo brasileiro. Nessa perspectiva, a escola há que contemplar em seu Projeto Político Pedagógico, uma proposta consistente que caminhe para a pesquisa e contribua para que as novas gerações tenham acesso e responsabilidade na preservação de um estilo de vida brasileiramente arraigado em nossa alma.
Por se tratar de uma traço cultural, cuja tradição e apreço de famílias inteiras se preocuparam em perpetuar, os educadores, solidários com o compromisso de formar cidadãos, devem intermediar o processo educativo como promotores e facilitadores da construção sócio histórica, dentro da perspectiva da aprendizagem compartilhada. Essa modalidade de educação propõe uma ação educadora na qual há um intercâmbio cultural entre os integrantes do processo de construção de conhecimento, por meio da mediação de saberes entre os pares docentes e discentes.
Vimos que a literatura oral possui um amplo acervo de modalidades textuais, e, por isso sugerimos, como agentes do processo educativo, que seja trabalhado, na Língua Portuguesa-Brasileira, não só a morfologia e a sintaxe, mas elementos da semântica, o discurso e sua expressividade. No que se refere a literatura propriamente dita, observamos a grande variedade de gêneros, em prosa e verso, que estão à disposição de um estudo literário que contemple beleza, ética, estética e valores humanos.
Encerramos com um trecho da obra de Antônio Augusto Arantes (1984, p. 78) salientando que existem pesquisadores e educadores que reforçam a idéia de tratar a cultura popular como uma realidade científica: “(...) fazer teatro, música, poesia ou qualquer outra modalidade de arte é construir, com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece, com as suas roupagens identificadoras particulares e concretas, o que é mais abstrato e geral num grupo humano, ou seja, a sua organização, que é condição e modo de sua participação na produção da sociedade. Esse é meu ver o sentido mais profundo da cultura, “popular” ou outra.”

Autor: Antonio Carlos Tomás Fialho Magalhães - Twitter: SaberFolclorico